Abril de 2016

“MÊS DA PREVENÇÃO DOS MAUS-TRATOS NA INFÂNCIA”

Os maus-tratos ocorrem sempre que existe uma pessoa em condições de poder superior (idade, força, autoridade, maturidade, inteligência, posição social e/ou económica) que se aproveita dessa superioridade para infligir maus-tratos físico e/ou psicológico e/ou sexual, sem consentimento da vítima ou por consentimento persuadido, que culminam por vezes em homicídio.
Mary Ellen era uma menina americana, de 9 anos, vítima de maus-tratos por parte dos pais. Apresentava cicatrizes, queimaduras e nunca tinha saído à rua. Foi o primeiro caso a ser julgado por maus tratos infligidos pelos pais a uma criança. Tudo se passou em 1874, quando uma voluntária da Sociedade Americana para a Prevenção da Crueldade nos animais terá encontrado Mary Ellen acorrentada e terá intervido, alertando várias instituições para o flagelo da criança. Mas nada previa juridicamente a proteção da menor. Foi então pedido em Tribunal que a menina de nove anos tivesse pelo menos os mesmos direitos que tinham os animais!!!!!
A Campanha do Laço Azul iniciou-se em 1989, na Virgínia, E.U.A. quando uma avó, Bonnie Finney, amarrou uma fita azul à antena do seu carro, para denunciar a todos os elementos da comunidade, a trágica situação em que os seus netos viviam, vítimas de maus tratos, infligidos pela própria mãe e namorado. O azul simbolizava os corpos batidos e cheios de nódoas negras dos seus dois netos. O azul, simboliza a cor das lesões, e que lhe serviria como um lembrete para a sua luta constante na proteção das crianças contra os maus-tratos. Assim, o mês de abril, surge em homenagem a esta avó e a todas as crianças que morreram vítimas de abuso infantil, e, desencadear esforços necessários junto das famílias e comunidade para prevenir o abuso infantil e negligência.
E deram-se os primeiros passos para que a proteção das crianças vítimas de maus-tratos fosse de facto acautelada através de normas de conduta, de direitos da criança e de leis que viriam a considerar os maus-tratos como crime.
Estas histórias demonstra-nos como o efeito da preocupação de alguns cidadãos podem ter, no despertar das consciências do público em geral, relativamente aos maus-tratos contra as crianças, na prevenção e na defesa dos seus direitos.
A Escola Básica de Gondarém não ficou indiferente a esta temática e aliou-se ao projeto dinamizado pela CPCJ e Agrupamento de Escolas de Cabeceiras de Basto, intitulado “Abril 2016, MÊS DA PREVENÇÃO DOS MAUS-TRATOS NA INFÂNCIA”. A partir da história, “Laço Azul” de Blue Ribbon, comum a muitas outras (infelizmente), inúmeras atividades foram dinamizadas, por este estabelecimento de ensino, nomeadamente a campanha “Laço Azul”, “Construir Afetos” a partir da decoração de uma peça de um Puzzle Gigante pelos alunos da educação pré-escolar, diálogo e exploração sobre a história do Laço Azul, desenhos, pinturas e a comemoração do Dia do Sorriso com a realização de um pássaro em origami.
Este tema foi portanto, mais uma oportunidade de contribuir para que as escolas se transformem em instrumentos de paz e de entendimento entre pessoas de diferente formação, cultura, religião e raça. Na escola educa-se para a vida e procura-se desenvolver nos alunos as capacidades e competências necessárias para uma participação social ativa. Por isso, pela educação devemos apoiar um mundo melhor que permita que todos tenhamos a mesma oportunidade de desenvolver plenamente as nossas faculdades no seio de uma sociedade livre, responsável e democrática, onde se possa viver nos desígnios da Paz e do Amor.
                                                                              

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       Tudo o que eu devia saber na vida, aprendi no Jardim-de-Infância

A importância da educação pré-escolar para o desenvolvimento da criança está mais que demonstrada, além de corresponder a uma necessidade social crescente.
A educação pré-escolar é a primeira etapa da educação básica e destina-se às crianças com idades a partir dos 3 anos de idade. Visa o desenvolvimento integral da criança e tem características próprias que a distinguem dos outros níveis de ensino. Enquanto ato educativo baseia-se em experiências significativas as quais se desenvolvem num ambiente estimulante, acolhedor e favorecedor das aprendizagens.
É no Jardim-de-Infância que a criança aprende a estabelecer relações, a seduzir e a cativar. Aprende a partilhar com os outros o que é seu, a respeitar o que é de todos e a obedecer às primeiras regras. Como é no J.I. que adquire (ou consolida) hábitos de higiene e saúde, boas maneiras à mesa, segurança...
O Jardim-de-Infância procura promover estas aprendizagens – mas outras também: cria condições para a criança desenvolver as suas capacidades nas áreas de Formação Pessoal e Social, Conhecimento do Mundo e das Expressões.

              “Tudo o que devo mesmo saber para viver, que fazer e como ser, aprendi-o no Jardim-de-infância. A sabedoria, afinal, não estava no topo de uma montanha chamada Universidade, mas sim na caixa de areia da minha escola.
              Eis as coisas que aprendi: a compartilhar, a não fazer batota, a não magoar os outros, a arrumar o que desarrumei, a limpar o que sujei, a não tirar o que não me pertence, a pedir desculpa quando magoo alguém, a lavar as mãos antes de comer, a puxar o autoclismo. Aprendi a aprender, a pensar, desenhar, pintar, cantar, brincar, trabalhar, fazer de tudo um pouco todos os dias. Aprendi que o leite faz bem à saúde. Vi a semente a crescer no copo de plástico; as raízes descem e a planta sobe e, embora não saiba porquê, gosta-se.
              Pense como o mundo seria melhor; se todos nós, o mundo inteiro, fizéssemos um lanche de biscoitos e leite, depois de terem dormido a sesta, o mundo estaria bem melhor. Ou se todos os governantes adoptassem como política de base a reposição das coisas nos sítios de onde as tiraram, com o cuidado de limparem, a seguir, toda a porcaria que tivessem feito.
             E também sei que é verdade, que ainda é verdade, que no mundo o melhor é dar as mãos...e ficarmos juntos.”   Robert, F.


        Dada a idade das crianças que frequentam o pré-escolar; muitas vezes o seu primeiro contato com o mundo social mais alargado que o ambiente familiar a educação pré-escolar tem características gerais que a distinguem dos outros níveis de escolaridade com orientações curriculares, ela privilegia a aprendizagem em relação ao ensino, seguida de projetos e rotinas a serem cumpridas ao longo do ano letivo, não existe uma avaliação quantitativa mas sim pode existir uma avaliação qualitativa e a aprendizagem deve ser ativa. Estas características traduzem-se numa terminologia própria: não se usa o termo “ensino”, mas educação; “não há professores” mas sim educadores que “não dão aulas” e sim organizam atividades; “não têm uma classe ou turma de alunos” mas um grupo de crianças e “não funciona numa sala de aulas” mas numa sala de atividades. A aprendizagem da criança processa-se a um ritmo diferente segundo as capacidades individuais de cada uma. É necessário, portanto organizar o ambiente educativo que deverá ser motivador e facilitador das experiências que permitem a aprendizagem. O papel do educador revela-se assim de extrema importância por ser um orientador que facilita as experiências educativas e de comunicação.
       Uma educação pré-escolar de qualidade promove um conjunto de competências que se têm tornado vitais para uma inserção positiva no 1.º ciclo da escolaridade básica.

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Sou Educadora de Infância
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“Quando digo que sou educadora de infância em geral, respondem com um “Ah” tão insípido, que gostaria de dizer:
Em que outra profissão poderias pôr laços no cabelo, fazer penteados inovadores e ver um desfile de moda todas as manhãs?
Onde te diriam todos os dias “És linda”?!!!
Em que outro trabalho te abraçariam para te dizerem o quanto te querem?
Em que outro lado te esquecerias das tuas tristezas para atender a tanto joelho esfolado, e coração afligido?
Onde receberias mais flores?
Onde mais poderias iniciar na escrita,
uma mãozinha que, quem sabe, um dia poderá escrever um livro?
Em que outro lugar receberias de presente um sorriso como este?
Em que outro lugar te fariam um retrato grátis através de um desenho?
Em que outro lugar as tuas palavras causariam tanta admiração?
Em que trabalho te receberiam de braços abertos depois de teres faltado um dia?
Onde poderias aprofundar os teus conhecimentos sobre bichos-da-seda, caracóis, formigas e borboletas?
Em que outro lugar derramarias lágrimas por ter que terminar um ano de relações tão felizes?
Sinto-me GRANDE trabalhando com pequenos.
A todos os educadores de infância,
que tanto semeiam para que outros recolham
A todos os que escolheram esta profissão…
Obrigada!2
  (Traduzido e adaptado de: “Soy Maestra”

Todo o caminho que fiz ao longo da minha carreira profissional, contribuiu para o meu desenvolvimento emocional e dos alunos que me acompanharam. Fomo-nos conhecendo pouco a pouco, com abraços, beijos, muito trabalho e de aprendizagens mútuas. É, indubitavelmente para todo este processo que, tanto vós como eu, tivéssemos compartilhado o mesmo objetivo.
Tendo em vista o desenvolvimento global de cada criança, procurei ao longo da minha vida profissional proporcionar situações e desenvolver atividades que despertassem a curiosidade e que estimulassem a imaginação das crianças, a fim de alargar e complementar os seus conhecimentos, que fossem ao encontro dos interesses e saberes individuais do grupo e potenciassem a sua capacidade de pensar e de agir, encorajando-as a procurarem soluções e a ultrapassarem dificuldades. Procurei melhorar as aprendizagens dos alunos, que adquirissem o máximo de competências / aprendizagens, nas áreas de conteúdos que constituíram as referências gerais no planeamento/realização das atividades, na organização do Ambiente Educativo e na avaliação das atividades/situações e oportunidades de aprendizagem. Procurei que todos os alunos participassem de forma ativa nas atividades. Desenvolvi nos alunos competências de cidadania, de forma, a que estes se tornassem cidadãos responsáveis, conscientes e interventivos, promovendo atitudes e comportamentos assertivos. Desenvolvi ativamente, o respeito mútuo, a compreensão, a amizade, a solidariedade, a colaboração entre alunos e entre professores e alunos.
Hoje, vencer não é não cometer erros e falhas, mas reconhecer as nossas limitações e corrigir as nossas rotas. Vencer é tão só: não desistir.
 Perante tudo isto, desejo continuar a lutar pelos meus sonhos, a apaixonar-me cada vez mais pela vida, a amar intensamente a minha família e as “minhas” crianças; conquistar novos amigos, aprender, partilhar, dinamizar e participar em projetos; colaborar na vida da Escola, e nunca desistir das pessoas que me rodeiam
Agradeço a todos aqueles que acompanharam o meu percurso profissional e a toda a comunidade educativa, o vosso afeto, o vosso tempo e as vossas palavras. Mas, sobretudo, agradeço-vos terem-me proporcionado momentos, meios e recursos para trabalhar e para me convencer, uma vez mais, de que escolhi a mais gratificante das profissões, Educadora de Infância.

                                                                           J.I. de Gondarém
                                                                           Educadora: Lídia Feio